sábado, 30 de junho de 2012

O CÂO QUE MORDEU A DONA!

Aquela quarentona que costumava passear o seu pastor alemão no Jardim junto à Igreja de Santo Agostinho, loira,altiva,exuberante,escultural,pernas torneadas e seios robustos,saltitando desafiantes num decote ousado,caminhando em passada lenta e estudada,fazendo com que a sua atrevida minisaia, ondulasse a cada passo, provocando a cobiça e admiração dos cavalheiros que com ela se cruzavam e que oportunisticamente cumprimentávam o cão, como que enviando um recado à dona! O animal apresentáva-se com um porte cuidado e uma atitude de indiferença, como que ignorando tudo o que se passava à sua volta,esceção às atrevidas cadelas minorcas, que lhe ladrávam atrevidas sem que ele se mostrásse algo incomodado com tais atitudes, demonstrando ser um cão de educaçáo cuidada! A trela que a sua dona seguráva, era de cabedal de qualidade e resistência à prova, e a coleira de prata que rodeava o pescoço, exibia um placa onde se podia lêr um nome gravado que o identificava,ROB! A justificação para o passeio matinal diário naquele jardim e na pista pedonal das margens do Liz, é a necessidade de permitir que os cães se purguem comendo certas ervas e se aliviem do conteúdo incómodo dos seus intestinos,tendo a Cãmara espalhado pela zona disponibizadores de sacos plásticos para as pessoas recolherem e depositarem nos devidos recetáculos, evidentemente que tudo isto se destina às pessoas educadas e responsàveis! Naquele dia, algo ocorreu que estragou a normalidade daquele passeio, quando ROB estacou repentinamente no meio da relva, encolheu as patas trazeiras revirou os olhos envergonhado e num derradeiro esforço, ali se livrou da incómoda carga, depois de cheirar o poio como que certificando a mal cheirosa origem,virou-se para a dona interrogando-a com o olhar: Então não cumpres o teu dever? Ela virou a cara para o lado, puxou a trela com violência arrancando o cão da sua posição espectante, este envergonhado gemeu de dor e mostrou-lhe logo ali os dentes ameaçadores,ladrou-lhe duas altercações e atirou-se-lhe ás bonitas pernas mordendo até ao peróneo! Se esta história acontecesse no tempo em que os animais falávam, as altercações do ROB seriam assim traduzidas: Se não fosses tão "cagona" tinhas evitado o corretivo, aprende para na próxima vêz saberes trocar a vaidade pelo dever cívico! Imagine-se a quantidade de "enfermeiros" que correram para acudir a dona mordida, sem se importarem com o destino cruel que se adivinháva para o ROB! À quarentona bastàram seis pontos e desinfetante, mas ROB foi condenado à morte! Se a justiça fosse digna de quem a pratica, ROB teria sobrevivido e teria sido premiado pelo seu gesto em defesa do ambiente, sendo condenado a passear a dona diàriamente todas as manhãs no mesmo sitio, segurando a trela pelos dentes a qual termináva numa coleira de prata com uma placa gravada que dizia, NINGUÉM, que caminha para ser ALGUÉM! Leiria,30/6/2012 Júlio Salvador

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